Maurino Serpa

Quinta-feira, final de tarde, volto do mercado e, passando em frente à Prefeitura, vejo sentados ali na frente meu pai, seu Arão, e Maurino Serpa, ex-prefeito da cidade, funcionário da municipalidade de longuíssima data. Meu pai me saúda: “Ê, corintiano!”. Eu aproveito para cumprimentar a dupla e, num impulso, perguntar ao seu Maurino se ele não gostaria de me ajudar contando algumas histórias de Porto Belo. O amigo Ari disse-me certa vez que seu Maurino mantém diários e registra criteriosamente informações variadas. Mas ele titubeia, diz que já o procuraram com essa proposta, porém teme cometer indiscrições no campo da política. “Na emoção, posso queimar alguém”, explica. Não desisto, entretanto, e pergunto se posso visitá-lo hora dessas para conversarmos. Ele informa que, qualquer coisa, mandará recado pelo meu pai. Antes de sair, entretanto, meu pai e ele caem em reminiscências: “Tu lembra do primeiro automóvel que apareceu em Porto Belo?” “Ah, foi do seu Neném”, responde seu Arão. “Não, o primeiro nativo a ter um carro. Um carro preto, um Ford 1951, foi o Jorge Romão. O filho dele, Ricardo, vinha dirigindo”. Seu Maurino tinha uns dezesseis anos, acha que foi em 1956… E outras histórias: meu pai lembrou da vez que Cisto entrou na Câmara de Vereadores com um rifle para matar seu Neném, prefeito na época. Divertiram-se com as histórias. E eu, bem, pensei: “Tenho que entrevistar o Maurino”. Meu pai também, por que não?

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  1. Cara este sabe muito a respeito de nossa cidade! Vale a pena tentar mais uma vez…

    • Tens razão, Ari. Como tens algum acesso ao homem, quem sabe a gente não faz uma diligência hora dessas e tira uma tarde de papo com ele? Abraço e valeu a visita!

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