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Cozalinda pulará o Carnaval na companhia de “Cabeçudos”

Alegorias serão a principal novidade do bloco na folia deste ano em Porto Belo

Noite de quinta-feira, 24 de janeiro, centro de Porto Belo. No Espaço Bonequiando, ateliê de arte cerâmica do casal Patrícia e Miguel Estivallet, está havendo serão. O motivo é a transformação extraordinária do local em oficina de bloco carnavalesco, uma vez que dali sairá a principal novidade do Cozalinda para o Carnaval deste ano em Porto Belo: os “Cabeçudos”.

Rádio sintonizada na emissora comunitária local para fugir à Hora de Brasília, cervejas para espantar o calor e trabalho em regime de mutirão, aos poucos as alegorias ganham forma (serão necessárias mais algumas noites até que fiquem prontas).

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Realismo mágico nas águas do Araçá

Em resposta a um comentário de Marcelo Sabin, que desde Porto Alegre acompanha as linhas tortas deste blogue, a propósito do meu último artigo, escrevi o seguinte: “Esta é uma das razões pelas quais, diferente de usar celular, não deixo de correr: mesmo que o trajeto seja sempre igual, a paisagem é sempre diferente”.

Não se trata de força de expressão, como a vez seguinte em que vesti os trapos que costumo chamar “meus tênis de corrida” e pus o pé na estrada, novamente sentido Araçá, facilmente constatou.

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Surpresa na estrada

Tem vezes em que lamento a minha teimosia de não querer usar celular. A principal delas é quando me deparo com uma cena incrível e não tenho o maldito aparelho para fotografar.

Aconteceu ontem mesmo: fazia uma corrida quase no final do dia, maltratando as articulações após uma semana inteira de letargia, quando tive uma surpresa na estrada.

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Histórias de morte em balcão de bar

Plena manhã de quinta-feira e estou iniciando minha filha Cecília em uma velha tradição familiar: pouco antes da hora do almoço, nos encaminhamos ao bar do Miloca, ali perto da casa do meu pai, justamente para encontrar seu Arão.

Alguns minutos antes, estávamos, eu e ele, empenhados em derrubar um poste de concreto que havia na frente de casa e estava deteriorado pela maresia. Finda a tarefa, seu Arão resolveu tomar um gole.

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Piva e o Capitão Brasil

Era uma manhã de domingo e o seu Piva recebia, resignado, o derradeiro adeus. Ainda no carro, na chegada ao cemitério, Bete me lembrou da crença popular: quando alguém é enterrado num dia de sol, é porque se vai sem tristeza de partir. E o dia estava realmente lindo: um azul luminoso no céu e um calor que fazia pouco-caso de estarmos em pleno outono.

Imagino que o seu Piva não tivesse realmente motivos para se queixar. Viveu uma boa vida, desconfio. Talvez apenas lamentasse não conhecer o neto que só chegou dias depois. Ou, por outra, o tenha visto de passagem, se há algum lugar onde os que vão e os que chegam se encontram para um aceno.

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E hoje se vai o Tatuíra

Faz um tempo, chamou-me a atenção o fato de uma lanchonete de nome Porto Viking fechar suas portas, após persistir um verão e meio, talvez dois.

Era um gancho irresistível para introduzir um problema que se tornava evidente e que o fotógrafo Gilmar Castro recentemente batizou de “desertificação do Centro”: uma tendência de os pequenos negócios da cidade encerrarem suas atividades, deixando para trás uma quantidade escandalosa de salas vazias e placas de “aluga-se”.

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Biel coleciona música (e muito mais)

Audiófilo e fuçador, Carlos Gabriel construiu um acervo de bolachões de respeito

Na Olavo Berlinck, uma estreitíssima rua paralela à avenida principal de Tijucas, encontramos um gourmet. Não, Biel não é um apreciador da alta gastronomia (ou seria? Acabou que não lhe perguntei a respeito). Ele é, isso sim, um degustador da fina-flor do samba e da MPB, o que faz com a cerimoniosa dedicação de qualquer bom “garfo”. Podemos dizer, para melhor compreensão, que Biel coleciona música.

“Eu gosto de guardar velharia”, descomplica o tijuquense de 35 anos que traz na certidão o aristocrático nome de Carlos Gabriel de Campos Silva. Topógrafo a serviço da concessionária Autopista Litoral Sul há uma década, Biel é talvez um dos mais importantes colecionadores de música brasileira da região.

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Diário de Cecília pt. 1: O tédio

Tarde de chuva e eu lidando com uma meia dúzia de telas na web, conversando com o Thiago no Facebook e tentando escrever algo produtivo.

A Cissa abandona o material de pintura que ganhou do amigo Pedroca e se interpõe sem cerimônia entre mim e o computador. Começa a batucar vigorosamente no teclado.

Por favor, Cissa, o pai precisa trabalhar!

Mas pai, estou entediada!

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Praia coberta de prata

Se em 2005 os cardumes passaram longe da costa bombinense, preferindo as malhas em alto-mar da frota industrial, neste ano de 2006 a temporada de pesca de tainhas começou cedo e foi, nos primeiros dias, marcada por surpreendente abundância. Maio, um mês desfavorável a esse tipo de pesca por ser normalmente quente, trouxe frio e muito peixe para os costões e praias do município. A comunidade fartou-se de tainhas e os turistas ocasionais divertiram-se acompanhando os nativos nos arrastões, molhando as canelas na beira d’água e emprestando braços para facilitar a tarefa de puxar as redes para terra. Dentro delas, centenas de corpos frenéticos tingiram a praia de prata nesse maio atípico, de safra recorde. Mas, em junho, o ímpeto diminuiu.

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Mick Jagger no Terno de Reis

Imediações do “Beco do Amadeu”, 3h45 de quinta-feira. Dezenas de “Cálix bento” e “Papagaio pena de ouro” depois, o pessoal já acusa o cansaço. Mesmo assim, ainda há um evidente clima de diversão, demonstrado nas trocas de olhares que parecem compartilhar uma piada secreta.

Mais importante: todos sentem o alívio de terminar a noitada de Reis com dignidade, após três tiros n’água que nos fizeram suspeitar de que havia um “Mick Jagger” entre nós.

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